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LIÇÃO 4ª- A COMISSÃO CULTURAL E A GRANDE COMISSÃO
quarta-feira, 20 de julho de 2011 Marcadores: Aguinaldo, Lições Bíblicas, Lições Bíblicas 3º trimestre, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
Este comentário foi escrito pelo nosso vice dirigente da escola dominical, Aguinaldo Barbosa

Regozijai-vos no Senhor, outra vez digo regozijai-vos (Filipenses 4.4).
Saúdo a todos com a paz do Senhor. Paz que excede a todo entendimento. Verdadeiramente me sinto regozijado em ter sido solicitado a fazer este pequeno comentário sobre esta grande lição a respeito da:
A COMISSÃO CULTURAL E A GRANDE COMISSÃO
[Comissão] - Derivado de “encarregado de serviço” (Atos 26.12).
Ao nos deparar com o início da Criação notamos o valor que DEUS deu ao homem, além disso, delegou ao homem tarefas e deveres e lhe deu também, de certa forma, autoridade (Gênesis 1.26). Muitas vezes nos perguntamos por que o homem é tão apegado as coisas matérias, como casas, carros, fazendas, riquezas e poder. Mas se analisar-nos, tudo isso provêm da terra (Gênesis 2.5-8).
A MISSÃO INTEGRAL COMO MANDAMENTO DIVINO
Mesmo o homem recebendo todo apoio [e] toda orientação divina, pecou, fraquejou, caiu e ficou preso à lei do pecado e sujeito a morte eterna (Romanos 6.23; 7.7). Mas DEUS nos deu seu único filho (unigênito) (João 3.16) e ele não se negou (Lucas 19.10). [No entanto] ele nos comissionou (Mateus 11.28). Mais adiante ele se compromete a nos qualificar esta obra (Marcos 1.17; Lucas 5.10), em seguida ele nos ordena a evangelizar (Marcos 6.15).
A COMISSÃO CULTURAL E O DEVER DA IGREJA
DEUS nos outorgou o dever e responsabilidade de cuidar da moral e da ética cristã. Em respeito à Bíblia Sagrada nós quando éramos gentios muita vezes [pensamos] que estávamos fazendo aquilo que agradava a DEUS (Atos 22.3-5). Seguindo costumes e tradições que acompanhavam nossa cultura (Isaías 41.29; Atos 15.20; I Tessalonicenses 5.1.9). Isso muitas vezes nos acompanhava desde nossa infância. De forma que alguém diz que vai morrer na lei que nasceu, pela qual foi ensinado.
Como gentios, no entanto, sabemos que CRISTO conta conosco para divulgação do Reino cumprindo o ide glorioso (Marcos 16.15). De onde suje A GRANDE COMISSÃO?
Quando Nicodemos tem o encontro com JESUS descobre que mesmo sendo mestre (doutor da lei) não conhecia nada a respeito da salvação e do amor de DEUS para com os homens (João 3.16).
Aqueles a quem DEUS alcançou pela fé já estavam automaticamente salvos por crerem em JESUS e no seu amor (Marcos 16.16), pois o filho de DEUS veio ao mundo não para condená-los, mas sim para salvo-los (Lucas 19.10) e veio trazer paz, descanso e alívio as nossas almas (Mateus 11.28).
Esta chamada específica que o SENHOR JESUS nos fez foi muito importante, pois nos comissionou a pregar o Reino de DEUS. isso é maravilhoso, saber que fomos escolhidos para esta tarefa (João 15.16), neste desafio.
Não podemos fazer acepção de pessoas, pois ele mesmo nos deu o exemplo (João 4.9-10). Os seus discípulos vendo que o mestre não fazia acepção de pessoas não sabiam como agirem (João 4.27), eles estavam na fase de aprendizagem, pois no futuro precisariam dar seqüência ao que tinha aprendido (veja o caso de Felipe em Atos 8.26-27, de Pedro em Atos 10.21-22 e de Paulo em Atos 16.27-28, 31-32).
Se quisermos mesmo pregar o evangelho devemos agir como os santos homens de DEUS agiram, quebrando barreiras e tradições que só fazem afastar os homens do DEUS vivo (Atos 10.28-29). Falemos de JESUS e do amor de DEUS e Mestre, que os ídolos são meras caricaturas, pois quem opera em tudo e em TODOS é DEUS (Atos 17.23-25).
Como diz as Escrituras trabalhemos em quanto é dia, pois, a noite se aproxima deste grande mar que é o mundo, com a concupiscência, com as suas glórias, com suas máscaras, pessoas que pensam que sabem, mas que na verdade são como crianças (Jonas 4.10-11).
Não devemos nunca desistir, mesmo que os homens se corrompam dia a dia, se entregue a devassidão e tudo quanto DEUS abomina, sabemos que tudo é possível a DEUS (Lucas 1.37). AMÉM.
QUE VER OUTROS COMENTÁRIOS DO IRMÃO AGUINALDO? ACESSE:
A Ascensão de Cristo e a Promessa de Sua Vinda
Lição 2ª - A Mensagem do Reino de Deus
quinta-feira, 7 de julho de 2011 Marcadores: Ezequiel, Igreja de Deus, Lições Bíblicas, Lições Bíblicas 3º trimestre, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
COMENTÁRIO DESTA LIÇÃO FOI ESCRITO PELO NOSSO PROFESSOR DA CLASSE DOS JOVENS, O IRMÃO EZEQUIEL CARVALHO, PROFESSOR DUAS VEZES, O FUTURO ADVOGADO. - Flávio José
A MENSAGEM DO REINO DE DEUS
Sofrimento, sentimento de abandono e falta de sentido: expressões de quando não escutamos a voz de Deus
O professor de teologia histórica da Universidade de Oxford (Inglaterra), Alister McGrath, é muito sincero ao afirmar que o sofrimento (onde se inclui obviamente o mal e as catástrofes acidentais) “suscita diversos problemas para a fé cristã”.
Recentemente surgiu uma filosofia chamada de “teísmo aberto”. Os adeptos desse pensamento “cansaram” de tentar entender um destino evidente criado por Deus para o mundo. Sendo assim, não acreditam que Deus controla tudo. Afirmam: “Deus não é a causa de tudo, nem é Todo-Poderoso, em última análise, o mundo acontece por vontade humana”. Assim eles tentam “absolver” Deus de tudo aquilo que dá errado no mundo.
Mas o que Deus diz sobre tudo isso? Qual seria a mensagem do Seu Reino? O que Deus responderia para uma mãe que teve sua filha violentamente assassinada, ou até mesmo, covardemente abusada? O que diria a um pai que teve sua família soterrada em um desmoronamento de sua própria casa?
Jó experimentou o silêncio de Deus e para ele isso era um grande absurdo, pois se até mesmo um homem compadece-se do sofrimento do seu próximo, por que Deus não poderia ao menos lhe responder?
E agora derrama-se em mim a minha alma; os dias da aflição se apoderaram de mim. De noite se me traspassam os meus ossos, e os meus nervos não descansam. Pela grandeza do meu mal está desfigurada a minha veste, que, como a gola da minha túnica, me cinge. Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.
Clamo a ti, porém, tu não me respondes; estou em pé, porém, para mim não atentas. Tornaste-te cruel contra mim; com a força da tua mão resistes violentamente. Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar sobre ele, e derretes-me o ser.
Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes. Porém não estenderá a mão para o túmulo, ainda que eles clamem na sua destruição.
Porventura não chorei sobre aquele que estava aflito, ou não se angustiou a minha alma pelo necessitado? Todavia aguardando eu o bem, então me veio o mal, esperando eu a luz, veio a escuridão (Jó 30.16-26).
A mensagem do Reino de Deus anunciada
Alguém lendo até aqui deve ter se perguntado: “o tema não era ‘a mensagem do Reino de Deus’, como, então, estamos falando de sofrimento”?
Estamos falando de sofrimento porque nenhuma palavra pode combinar tão bem com aquilo que os judeus estavam passando na Palestina no tempo do advento de Jesus Cristo.
Os judeus passaram um pouco mais de 400 anos sendo dominados pelos mais diferentes povos e reinos (pelo Império Persa, pelo império de Alexandre, o Grande, pelo império dos Ptolomeus, pelo império dos sírios selêucidas, que com Antíoco IV, tentaram construir um altar ao deus pagão Júpiter dentro do Templo de Jerusalém, forçaram os judeus a comerem carne de porco, proibiram a observância do sábado e destruíram muitos exemplares das Santas Escrituras hebraicas; e pela dominação romana, que também foi cruel e humilhante).
Fora isso, acrescente o fato de não ter se levantando um grande profeta em Israel nem um líder piedoso que falasse em nome Deus para confortá-los. Houve até profetas, como a profetisa Ana (ver Lucas 2.36) e líderes como Anás e Caifás (sumos sacerdotes), mas ninguém que unisse a nação com um apelo de reavivamento espiritual.
Eis os motivos do sofrimento judaico. O sofrimento não é nenhuma elucubração filosófica. É vivo. Somente quem já sofreu e não foi consolado sabe o que é o abandono, não nas frias páginas de um dicionário, mas em carne viva.
Contudo algo parecia mudar. A esperança hebraica do Messias era algo inabalável e até mesmo os samaritanos sabiam que quando ele se manifestasse responderia todas as perguntas aparentemente sem respostas. Pois a mulher samaritana disse: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo (João 4.25).
Quando então João Batista apareceu pregando no deserto da Judéia os judeus acreditavam fortemente na possibilidade de ser ele o Messias. E, estando o povo em expectação, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo (Lucas 3.15), no entanto, João respondeu: E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo (João 1.20).
Mas aí os fariseus perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Quem és? Para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo? Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías (João 1.21-23).
João Batista confessou não ser o Cristo, mas alegou estar preparando o caminho para a chegada dele. Não só dele, mas do seu Reino. E afirmava: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus (Mateus 3.2).
Antes de continuarmos vale aqui uma informação: os judeus esperavam a vinda do Messias, mas não tinham a compreensão do que o Messias seria Deus humanizado, pois teriam de ter uma formação teológica que abrisse espaço para compreensão da Encarnação e da Trindade. Esses dois conceitos inexistem no judaísmo.
O Messias seria um rei terreno, alguém da descendência de Davi que instauraria o reino messiânico, um vislumbre do Reino dos Céus aqui na terra. Por isso, a dificuldade dos judeus em considerar aquele, que para eles era apenas o filho de uma camponesa com um carpinteiro, como o Messias prometido.
Qual era a mensagem do Reino de Deus?
Na lição passada estudamos o projeto do Reino de Deus. O projeto do Reino de Deus é conceder-nos uma cidadania celestial, pois Deus quer que entendamos que o Seu Reino não é deste mundo. Não que Deus não tenha domínio sobre todas as coisas, pelo contrário, como diz o salmista: “para onde fugirei da tua face?” (Salmos 139.7-12), pois do abismo até o mais alto céu, tudo está diante de Deus; mas o Reino de Deus não é deste mundo, ou seja, não possui origem terrena.
E aí está a maior de todas as questões: nós não fomos feitos para viver longe de Deus. Deus criou o paraíso, nós o rejeitamos, desprezamos a Deus e a nós mesmos. Mas aprouve ao Senhor restaurar todas as coisas. Criar um novo mundo sem o pecado nem a morte, sem qualquer sofrimento, onde as lágrimas não existem mais.
E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas (...) (Apocalipse 21.4-5).
Certa vez os fariseus questionaram a Jesus sobre o tempo em que haveria de se manifestar o Reino de Deus. Até que ponto a falta de fé pode limitar a nossa visão! Eles esperavam o Reino dos Céus com um limite geográfico. Não sabiam que era Deus o que falava com eles.
Fico imaginando o que Cristo deve ter pensado ao ouvir aquilo. Porém, Jesus não se zangou, nem deu uma resposta atravessada, mas como o Pai da misericórdia e Deus de toda consolação (II Coríntios 1.3), ele respondeu: o Reino de Deus está entre vós (Lucas 17.20).
O Reino de Deus não tem limites. Não está preso dentro da Igreja, não pertence a uma denominação. A Igreja no máximo conduz ao caminho certo, a porta estreita (Jesus). É a mensageira do Rei. A palavra hebraica e grega para reino, ao contrário da usada no português (que tem origem no latim), permite essa interpretação: um reino sem limites.
Paradoxalmente, contudo, o Reino sem limites de Deus pode ser algo vivido particularmente, como uma experiência individual. O homem carnal não pode herdar o Reino de Deus, pois está escrito: a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus (I Coríntios 15.50). E Cristo explicar o porquê: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito (João 3.5-6).
Somente aquele que é nascido de Deus em fé, pode entender isso. Somente pela fé Abraão sacrificaria Isaque, somente pela fé Moisés rejeitaria ser o futuro Faraó para morar com seus irmãos hebreus na escravidão, somente pela fé ele tocaria o Mar Vermelho esperando que ele se abrisse para o povo caminhar a pés enxutos, somente pela fé Davi enfrentaria um gigante sem nenhuma armadura, somente pela fé os justos enfrentariam escárnios, açoites, prisões e mortes violentas por uma pátria que nunca viram.
Sem fé nada faz sentido. Mas o Reino de Deus é representado na cruz do Calvário. Como diz o hino: “Pela via dolorosa a sofrer terrível dor como ovelha veio a Cristo, Rei, Senhor. Quanto amor Jesus mostrou morrendo ali, por ti e por mim. Pela via dolorosa ao calvário... Segue enfim”. Porque não é feito do que é aparente, mas daquilo que se revela superior.
Todo sofrimento precisa respeitado e curado. Jesus mostrou compaixão dos homens, porque viu ovelhas desgarradas, como que sem pastor (Mateus 9.36) e falou aquilo que penso ser a mensagem do Reino: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei (Mateus 11.28).
Precisamos anunciar essa verdade. Deus não se esquece de nenhum dos seus filhos. Nenhuma injustiça será esquecida, nenhuma lágrima cairá em vão. Pois o que está escrito em Naum? O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente; o SENHOR tem o seu caminho na tormenta e na tempestade, e as nuvens são o pó dos seus pés. O SENHOR é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele (Naum 1.3-7).
O profeta Isaías, sendo porta-voz do Senhor, também diz: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim (Isaías 49.15-16).
A Igreja tem uma missão muito grandiosa. Pelo poder do Espírito Santo precisa não se conformar com esse mundo, mas sempre tentar renová-lo (Romanos 12.2). Lutar contra toda injustiça e perversidade, que são obras do diabo, e o mais importante: apontar para a cruz de Cristo. Não é missão da Igreja encontrar todas as respostas, pois todas as respostas serão dadas por Ele naquele grande dia, é missão da Igreja dizer como Paulo:
Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada (Romanos 8.18)
Sobre a escolha do tema: A MISSÃO INTEGRAL DA IGREJA: Porque o Reino de Deus está entre vós
quinta-feira, 30 de junho de 2011 Marcadores: Escolha do tema, Ezequiel, Lições Bíblicas, Lições Bíblicas 3º trimestre, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
O que significa dizer que a igreja possui uma missão integral?
Podemos notar que no percurso da história que muitas vezes a Igreja passou por “crises de identidade”. Qual o papel da Igreja, sua missão? Qual deve ser sua relação com a sociedade secular, com as outras religiões, com o governo civil?
Por não saberem resolver esse impasse, por não compreender a missão genuína da Igreja, vários lideres eclesiásticos com o passar do tempo conduziram à Igreja a graves erros. Podemos ter certeza disso quando observamos infelizmente o papel de destaque da Igreja no cesaropapismo durante o Império Bizantino, as Cruzadas, a Questão das Investiduras e o apoio à colonização das Américas. A Igreja nem sempre teve uma relação honesta com a política.
Nem sempre mantivemos as portas do diálogo abertas, aceitando os nossos erros humildemente. Pois se assim fosse não precisaria ter a Reforma Protestante, nem a Teologia da Libertação. Se tivéssemos colocado a mente não nas coisas terrenas e passageiras, mas no tesouro celestial, não precisaria existir o Movimento Monástico, nem a criação das Ordens medicantes, mas algumas vezes cambaleamos dentro da nossa própria ambição.
Ainda agora não sabemos reagir à filosofia relativista, não conseguimos fazer respeitada a nossa fé dentro das mais conceituadas universidades. E quando conseguimos finalmente nos fazer ouvidos, apostatamos da fé. Essa experiência traumática fez muitos desistirem até mesmo de tentar reverter o jogo. Então deixamos que muitos acreditassem que o nós cremos é irracional. Desde o surgimento da ciência moderna a nossa relação com o mundo acadêmico não foi a mesma. E daí aguardamos que as pedras clamem (Lucas 19.40). Mas ai da gente se elas clamarem.
Não quero com o que falei acima maldizer a Igreja de Cristo. Longe de mim, falar mal de Sua noiva, a casa de Deus, coluna e baluarte da verdade (I Timóteo 3.15). Porém quando historicamente alguns líderes eclesiásticos optaram por escolher apenas daquilo que era a metade da ordenança, uma parte, invés do todo, trouxeram escândalos e prestaram um desserviço à embaixada do Reino de Deus na terra, que é a Igreja.
Fazemos apenas a metade quando nos reconhecemos enquanto instituição, mas não enquanto instituição do Reino de Deus. Quando evangelizamos o céu e esquecemos que as pessoas sofrem por uma variedade de circunstâncias que precisam ser revolvidas imediatamente porque todo o sofrimento é urgente; a fome é urgente, a falta de roupa, moradia e de emprego são urgentes.
No entanto, fazemos a metade também quando esquecemos o céu e focamos nossas esperanças todas no mundo, como se a salvação limitasse-se somente para essa vida. Pois, se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens (I Coríntios 15.19).
Fazemos ainda a metade quando queremos evangelizar, mas não transformar a nossa cultura, para que todos experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2). O cristianismo não é meramente uma religião, seria muito medíocre que pesássemos assim. Religiões possuem um poder de alcance muito limitado. Mas preste atenção naquilo que Charles Colson e Nancy Pearson falam:
O cristianismo genuíno é mais do que relacionamento com Jesus, tanto quanto se expressa em piedade pessoal, frequência à igreja, estudo da Bíblia e obras de caridade. É mais do que discipulado, mais do que acreditar em um sistema de doutrinas sobre Deus. O cristianismo genuíno é uma maneira de ver e compreender toda a realidade. É uma cosmovisão, uma visão de mundo. [...] O Cristianismo não pode ser limitado a apenas um componente em nossas vidas, uma mera prática religiosa, ou observância, ou ainda a uma experiência de salvação. Somos compelidos a ver o Cristianismo como a verdade abrangente, a raiz de tudo o mais. Essa é a realidade definitiva e final (COLSON, Charles e PEARCEY, Nancy. E agora, como viveremos? Rio de Janeiro, CPAD, 2000, pp. 33-34)
E como fazer com que a Igreja cumpra a sua missão de forma integral? Entendendo qual é o sentido dela enquanto embaixadora do Reino de Deus. Pois quando ela cumpriu a sua missão à risca obteve grandes frutos, seja alimentando os famintos, seja libertando os oprimidos do diabo pelo poder do Evangelho.
É sobre tudo isso que falamos até aqui e muito mais que a nossa revista (Lições Bíblicas) irá falar nessas próximas 13 semanas: A Missão Integral da Igreja: Porque o Reino de Deus está entre vós.
Confesso a vocês que não ficava ansioso por uma revista das Lições Bíblicas desde aquela sobre Jeremias, no segundo trimestre de 2010. Essa lição, do conjunto de Revistas que vem tratando de eclesiologia e pneumatologia em comemoração ao ano do Centenário, é a que eu mais gostei sobre esses temas. Tratar do Reino de Deus é positivo tanto do lado teórico da teologia como do lado prático da fé. Mas o que é o Reino de Deus?
Quando Jesus estava prestes a ser crucificado no meio de todo escárnio e pressão dos fariseus, Pilatos, com o desejo de entender o caso de Cristo, questiona-o sobre a acusação que lhe fazem de querer-se fazer rei dos judeus. Daí a pergunta “és rei dos judeus?”.
Jesus tentando fazer Pilatos compreender a diferença entre as perspectivas judaicas e romanas a respeito de tal declaração, pergunta se Pilatos queria saber dele mesmo (perspectiva romana) ou dos fariseus (perspectiva judaica). Pilatos responde dizendo está indiferente a perspectiva judaica, querendo saber apenas se Jesus era um sedicioso (João 18. 33-37).
Jesus então diz que o seu reino não é desse mundo. Quando diz reino a palavra que provavelmente Cristo usa é Malkuth que foi traduzida para palavra grega Basileia, ambas as palavras possuem o mesmo significado: realeza, domínio. Jesus estava querendo dizer a Pilatos que a origem da sua realeza, ou mesmo, o propósito da sua realeza não era terreno.
Jesus dizendo isso queria mostrar que não almejava o título de procurador do império romano na Palestina de Pilatos e nem mesmo queria ser o imperador de Roma, pois a sua realeza vinha do céu. E é claro que aquele que habita no céu tem mais poder e majestade do que aquele que habita na terra, assim como tem mais poder o dono de uma mansão em comparação com seu colono, embora que Cristo em sua primeira vinda veio anunciar a aproximação do Reino e não a imposição de soberania deste Reino ao mundo.
Isso não era uma pergunta de pessoas humildes ou de pessoas incultas nas Sagradas Escrituras, mas até os fariseus interrogavam Jesus sobre quando viria o Reino de Deus. Porém no texto bíblico Reino não está associado à geografia, isto é, territórios delimitados, mas à influência.
O que o profeta estava pregando era o tempo das transformações, é a chegada do Reino de Deus, que muda o que é antigo em novo, que transforma água em vinho, criatura velha em nova criatura, pois em Cristo as coisas velhas já se passaram e eis que tudo se fez novo.
Porque disse o profeta Isaías: “Já o tens ouvido; olha para tudo isto; porventura, não o admites? Desde agora te faço ouvir coisas novas e ocultas, que não conhecias.” (Isaías 48.6) e mais adiante o mesmo profeta diz: “Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas”. (Isaías 65.17).
Mas se existe o novo reino que o homem não conhecia por ainda não ter sido revelado, a quem Cristo confiou para serem os embaixadores? O evangelista Mateus nos responde: Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu. A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel; e, à medida que seguirdes, pregai que está próximo o reino dos céus. (Mateus 10.2-7).
Contudo se há o reino há uma constituição a qual esse reino está baseado, não é? Certamente. Cristo não só estabelece o reino, mas acentua as diferenças entre os dois reinos: o do mundo e o de Deus.
Há várias diferenças. A primeira diferença são os valores. Mas há outro ponto divergente. Boa parte dos reinos humanos foram impostos por atos violentos. Cristo, todavia nunca pregou o ódio nem a animosidade entre os homens, mas disse: Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra e Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia e ainda mais: Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus (Mateus 5. 5,7,9).
Se os homens dizem: “felizes os ricos”, Cristo diz felizes os humildes de espírito, se os homens dizem: “felizes os que tem poder para se vingar dos inimigos”, Cristo diz: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Mas isso tudo não é uma simples pregação moral?
Com certeza, porém há algo mais. A lei do Reino não é algo que podemos cumprir com as nossas próprias forças! Pois quem já mais reagiu pacificamente ao perverso e quem foi que ferido na face direita deu também a face esquerda para que continuasse a lhe bater, ou quem jamais foi magoado e humilhado por quem sempre amou e depois perdoou a pessoa, isso tudo fazendo por instinto natural?
Pois foi o próprio Jesus que disse a Nicodemos: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Pois o que interessa não é fazer o bem de forma interesseira, como quem diz farei a caridade para alcançar o céu ou mesmo a perfeição. Mas Cristo morreu na cruz por você e por mim sem pedir nada em troca. Esqueceu os nossos pecados sem barganhas ou chantagens, porém, apenas pelo santo sangue fez isso.
Percebeu? Essas lições têm tudo para serem as melhores que já ensinamos. Que Deus possa nos ajudar a não só ensinar com competência, mas a viver esse Reino e ajudar-nos a implantá-lo aqui no mundo. Sabemos que o Reino de Deus tem dois aspectos fundamentais: o presente, como nos ensinou Cristo a orar: Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu... (Mateus 6.10), e o futuro.
O futuro é céu, a terra é o presente. Desejemos o céu e não nos esquecemos de desejar o Reino de Deus na terra. O Éden nos foi tirado pelo nosso pecado, o paraíso terrestre é impossível, mas lembremos: somos o sal da terra e a luz do mundo, o sal não pode ser insípido, nem podemos esconder o brilho da luz, sob a pena de perdemos nossa identidade e sermos pisados pelos homens (Mateus 5.13).
P.S.: O Comentarista desse terceiro trimestre, embora, talvez não tão conhecido como os outros comentaristas, não é um estreante. Trata-se do pastor Wagner Gaby (foto ao lado), que já havia feito o comentário no terceiro trimestre de 2008 (As doenças do nosso século: As curas que a Bíblia oferece).
É advogado e recentemente venceu uma eleição disputadíssima para presidente da Assembleia de Deus no estado do Paraná com uma margem estreita de votos. Mesmo tendo ainda comentado poucas vezes, em vista da sua capacidade, o pastor é um experiente conferencista na área de Escolas Dominicais, além de ser um escritor prolífico escritor e membro da Academia Evangélica de Letras.
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