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Lição 12ª - Conservando a Pureza da Doutrina Pentecostal
sábado, 18 de junho de 2011 Marcadores: Ezequiel, Lições Bíblicas, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
ATENÇÃO!
Novamente por motivos pessoais o irmão Manassés Almeida não fará o comentário [dessa lição]. Peço desculpas a todos os leitores por isso, mas eu só soube desse fato na noite de ontem.
Para não ficar o espaço vazio dessa lição, eu escrevi um breve comentário substitutivo.
Escrito por Ezequiel Carvalho, professor da classe dos jovens
E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo.
E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti. Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão; Salvo tão-somente o que os jovens comeram, e a parte que toca aos homens que comigo foram, Aner, Escol e Manre; estes que tomem a sua parte (Gênesis 14.18-24)
Nesse trecho de Gênesis – que para muitos, quando visto superficialmente, pode parecer uma passagem acidental – três importantes pessoas encontram-se depois de uma guerra e nos proporcionam um momento de reflexão teológica relevante. Essas três pessoas são Abraão, o “pai da fé” [ainda chamado nesse texto de “Abrão”], o rei de Salém, Melquisedeque, e o rei da ímpia Sodoma, cujo nome não nos é informado.
Abraão havia demonstrado um cuidado especial a Ló, seu sobrinho, e uma coragem digna de um herói da fé, ao desafiar o poder do rei Quedorlaomer, que tinha vencido gigantes e se aliado a outros três reinos, para defender seu parente, que havia preferido viver em Sodoma.
Depois de uma vitória improvável, Abraão encontra-se com dois reis e mostra novamente o valor da sua fé. Poderia ele vangloriar-se dos seus feitos militares e ter aceitado o acordo com o rei de Sodoma para um enriquecimento fácil. Não seria justo Abraão tirar proveito de sua vitória?
Mas não foi isso que aconteceu. Abraão decidiu adorar ao Senhor e reconhecer a ajuda indispensável das mãos de Deus. O patriarca foi o primeiro homem mencionado na Bíblia a entregar o dízimo, pactuando com o rei de Salém, reconhecendo nele um sacerdote do Deus Altíssimo (cf. Salmos 110.4 e Hebreus 4.14 – 5.10).
Com o centenário das Assembleias de Deus, o movimento pentecostal brasileiro completa cem anos, porém o desafio de manter a pureza em questões de doutrina e teologia bíblica permanece inalterado, ou para sermos mais verdadeiros, está cada vez mais necessário.
Sem um aprofundamento bíblico e seduzidos por uma fé de uma caráter menos formal, mística e imediatista, os brasileiros estão cada vez mais propensos a abraçar o multifacetado movimento pentecostal, que há muito se distanciou dos antepassados históricos. Os pentecostais já são 17% da população brasileira.
E quero enfatizar esse ponto, o pentecostalismo perpetrado hoje em boa parte das igrejas adeptas do movimento, é demasiadamente diferente da forma com que era praticado pelo petencostais como Daniel Berg e Gunnar Vingren há uns cem anos atrás. Hoje o movimento saiu de controle e não é de se espantar que vemos a nossa revista insistir nos termos “genuíno”, “autêntico”, “puro”, para distinguir os variados aspectos que o pentecostalismo brasileiro adquiriu com o passar dos anos.
Mas a grande e sincera questão é como colocar limites bíblicos em um movimento que apoderou de uma visão espiritualista, onde para alguns “tudo é permitido”, e em que qualquer aproximação com uma organização litúrgica mais delineada e com um estudo sistemático da Bíblia e da teologia é tida como sinônimo, respectivamente, de formalismo e intelectualismo infrutíferos?
Primeiro, o apóstolo Paulo deixa bem claro:
Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor (I Coríntios 14.37).
Deus não contraria a si mesmo, as palavras que Ele nos deixou são espírito e vida (João 6.63). Nenhuma profecia tem o mesmo valor da Bíblia. Eu novamente quero ser firme no meu posicionamento: não acredito em profeta que não lê a Bíblia.
Deus pode usar quem Ele quer na hora que Ele bem entender. Mas qualquer igreja que coloca alguém como que para ter autoridade e esse alguém não possui conhecimento bíblico, os líderes que empossaram tal pessoa cometeram grave erro e prestaram forte desserviço ao Reino de Deus. Pois é necessário que aquele que preside, ensina ou exorta, o faça com base na Bíblia.
Jamais haverá pureza doutrinária enquanto não houver uma “ditadura da Bíblia”. Foi assim que clamaram na Reforma Protestante: Sola Scriptura (frase em latim que significa: Somente a Escritura). Somente ler a Bíblia é suficiente? Seria inocência nossa pensar assim. Quantos há que lendo a Bíblia nunca creram nela, ou a lendo depois apostataram. Por isso que precisamos colocar do lado da leitura obrigatória da Bíblia dois outros fundamentos cristãos indispensáveis: a fé e a glorificação exclusiva a Deus.
A fé deve ser entendida como o caminho que leva o homem a reconhecer a Cristo e à sua necessidade dele. Pois se diz:
E Jesus, respondendo, disse-lhes: Porventura não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus? (Marcos 12.24)
Lendo a Bíblia sabemos das Escrituras e pela fé, do poder de Deus.
Também, penso que o maior desafio de todos os tempos para igreja de Cristo seja o de glorificar única e exclusivamente a Ele como fez João Batista: É necessário que ele cresça e que eu diminua (João 3.30). Perceba que João não disse “é bom”, “seria legal” “talvez seja algum dia preciso”, mas: “é necessário”. Pois, quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça (João 7.18).
Abraão, como foi visto no caso acima, mostrou-se consciente de que tudo aquilo que havia recebido vinha de Deus, por isso lhe deu glória e O adorou. Dar glória a Deus não é um ato mecânico de repetir palavras por estímulos emocionais, mas o ato que revela a noção exata de nossa relação diante do Deus todo poderoso.
Preservar a pureza da doutrina – seja lá qual nome que se dê, pentecostal, no caso, ou doutrina bíblica, num sentido mais amplo – significa estudar mais a Bíblia, ter uma fé poderosa em Deus e lembrar-se que a única razão para existirmos é a de glorificar o nome do Senhor. Soli Deo gloria (Somente a Deus a glória). Se desde o princípio tomássemos esses três pontos como se fossem o algo mais importante das nossas vidas, com certeza absoluta não teríamos tantas falsas igrejas e falsas doutrinas por aí. Manteríamos a pureza da doutrina apostólica.
Lição 11ª - Uma Igreja Autenticamente Pentecostal
sexta-feira, 10 de junho de 2011 Marcadores: Carlos, Lições Bíblicas, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
É com alegria que estamos contando com mais um comentário do nosso irmão Carlos. Espero que todos sejam espiritualmente enriquecidos com esse comentário.
Escrito por Carlos Antonio de Souza, professor da classe das senhoras
Uma Igreja Autenticamente Pentecostal
Texto Áureo
“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.19).
INTRODUÇÃO: Posso afirmar com toda segurança que a Igreja universal e invisível não é um projeto humano e sim divino. A igreja, portanto, é um organismo vivo e ativo porque o seu dono morreu, mas ressuscitou (Apocalipse 1.18).
Muitos não entendem o grande mistério entre Cristo e a sua Igreja (Efésios 5.32), e dizem: como podem doze homens, muitos dos quais de origem simples, influenciarem toda uma geração e espalharem esta chama em todo o mundo?
O segredo é que estes homens viveram e foram discípulos (aprendizes) do maior mestre de todos os tempos! Jesus, o nazareno. O apóstolo João registrou o que disseram alguns acerca do seu ensino: “Nunca homem algum falou assim como este homem” (João 7.46).
A Igreja, que começou com doze homens, logo passou a cento e vinte no Pentecostes, depois a três mil almas, e assim sucessivamente. Sim a semente de Abraão frutificou como as estrelas do Céu (Gênesis 15.5).
Deus prometeu abençoar todas as nações da terra através de Abraão (Gênesis 12.3) e Paulo depois confirmou isto em sua epístola aos gálatas (Gálatas 3.8).
Assim como [em] Abraão, Deus, através de uma igreja autêntica e verdadeira, que não tolera pecado e que crê nas manifestações e dons do Espírito Santo, deseja cumprir a sua principal missão, a evangelização e discipulado dos homens perdidos.
Deus quer que cumpramos o seu grande “ide” (Mateus 28.19-20). Devemos seguir o exemplo da Igreja Primitiva, que primava pelo ensino ortodoxo das Escrituras (Atos 2.42), tinha uma profunda comunhão uns com os outros e cuidava também das necessidades sociais de seus congregados.
Uma igreja verdadeiramente pentecostal não é aquela que apenas fala muitas línguas estranhas e negligencia as suas viúvas (Atos 6.1) e os necessitados; lembremos das palavras de Cristo, através de Paulo, (Atos 20.35; Gálatas 6.10).
Muitas vezes penso nas palavras que o Senhor Jesus disse àquelas igrejas da Ásia, principalmente Éfeso: (Apocalipse 2.4) e Laodicéia: (Apocalipse 3.16), todavia, precisamos lutar contra toda e qualquer tipo de frieza espiritual (Mateus 24.12).
Apesar de toda oposição contra a Igreja, o Senhor Jesus nos dá o seu consolo e a sua promessa gloriosa: “[...] as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18). Amém!
VEJA OUTROS COMENTÁRIOS DO NOSSO IRMÃO CARLOS:
O que é batismo com Espírito Santo
A Oração no Antigo Testamento
O Dom Ministerial e o Dom de Profecia
Os Falsos Profetas
A Opção pelo Povo de Deus
O poder da Intercessão
O Ministério da Reconciliação
Características de um Autêntico Líder
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Lição 10ª - Assembleia de Deus – 100 Anos de Pentecostes - 1ª PARTE
sexta-feira, 3 de junho de 2011 Marcadores: Centenário das Assembleias de Deus, Ezequiel, Lições Bíblicas, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
ATENÇÃO: ESSE COMENTÁRIO FOI ESCRITO EM QUATRO PARTES. ESSE É APENAS A PRIMEIRA PARTE. O RESTANTE DO COMENTÁRIO SEGUE-SE ABAIXO
INTRODUÇÃO
Peço humildemente desculpas a todos que esperaram esse comentário para o meio da semana para ler com calma e refletir naquilo que está escrito. Desejo que vocês sejam indulgentes comigo. Eu tive que entregar ao colégio que dou aula nove provas feitas por mim, o que me custou todo o tempo que tinha para postar.
Quero que vocês saibam também que eu não tenho maior facilidade para escrever do que os meus pares; além do mais esse texto passou por várias revisões antes de ser postado. Eu quis ser deliberadamente equilibrado e isso é um trabalho muito difícil para uma pessoa que tem que escrever uma História da qual ele mesmo participa e tenho opinião formada.
Do mais me sinto muito honrado, em sendo um historiador, contar a História dos cem anos da igreja a qual eu faço parte e nutro forte carinho.
O texto que se segue abaixo não pretende contar toda a História dos cem anos da Igreja. Primeiro porque não é a intenção da Lição que isso aconteça – ela apenas relata e prende-se ao início, quando todas as Assembleias de Deus eram apenas a Assembleia de Deus de Daniel Berg e Gunnar Vingren – e segundo, é impossível mesmo que queiramos contar toda a História de qualquer coisa.
Esse comentário inicia-se com uma rápida explanação teórica do “valor da História da Igreja”, depois é comentado a origem da chamada de Berg e Vingren para o Brasil, a inauguração da igreja em nosso estado e por último, contudo, não menos importante, uma reflexão sobre os desafios de nossa denominação no nascer de um novo século.
O valor da História da Igreja
O título dessa primeira parte é por coincidência o mesmo usado pelo historiador cristão Earle. C. Cairns. Ele comenta o substantivo alemão “Geschichte”, que descreve o termo história, no sentido do evento, do acontecimento. A história é antes de tudo um relato de certo acontecimento, nesse sentido o fato é algo amoral, acidental, não pode ser repetido, pois está preso a determinado espaço e tempo.
No entanto, a história também possui o seu termo grego, “historia” (de onde vem a palavra usada no português). Nesse sentido ela assume o sentido de investigação. Quem pesquisa o passado vai até ele atrás de alguma resposta, procurar algo. A palavra grega aparece na Bíblia quando Paulo relata que foi à Jerusalém procurar Pedro (Gálatas 1.18). O historiador então é um pesquisador, é alguém que vai ao passado motivado ao encontrar uma peça de um quebra-cabeça.
Por último, a história também pode ser entendida como uma fonte de explicação do nosso presente. Nesse caso lançamos mão de outro termo grego: historikos, algo próximo de interpretação. Se o geschichte alemão é o fato, historikos grego é o produto. Um é o algo objetivo: a fonte; o outro é o que fazemos dessa fonte: o algo subjetivo.
A Carta de Campinas entende esses três princípios ao afirmar que:
“A história demonstra que nossa trajetória acontece dentro de um contexto. Portanto, faz-se necessário conhecer a igreja em suas várias manifestações ou periodizações. Isso significa que se deve analisar o que a igreja produziu de acordo com sua relação com a Igreja Primitiva e quando essa igreja moderna afastou-se desse modelo”.
Há dois equívocos, a meu ver, quando se tenta escrever a História da Igreja. O primeiro é escrever uma história teologizada demais, em que é tentado incansavelmente mostrar a ação de Deus em todos os lances históricos, algo totalmente subjetivo. Ora, os desígnios de Deus nem sempre são executados pela vontade humana, pois se assim fosse não existiria a escolha moral a que todos os homens estão sujeitos. Dessa forma com que base Deus julgaria o homem, se ele não pôde ter direito a escolha? A pregação do Evangelho seria inútil.
O outro erro está no esquecimento da providência divina, fazendo-se uma história materialista, atéia ou mesmo humanista – o que não seria de todo mal para os arminianos de plantão, no entanto, mesmo esses traem os seus “preceitos não intervencionistas” para ver como “Deus agiu no passado” em favor de sua Igreja. Pois, queiram os homens ou não, conduzirá a história até que Sua vontade se cumpra totalmente.
Penso que o padrão mais perfeito para escrita da História seja a Bíblia Sagrada. Não estou dizendo que a Bíblia tem esse objetivo, mas que de Gênesis a Apocalipse nos é contado como Deus, mesmo nós estando afastados dEle, procurou-nos e desejou participar da nossa vida para que pudéssemos também participar da natureza divina (Queda, Salvação e Redenção). Ou seja, vontade humana e divina, juntas no mesmo livro, que não obstante, aponta para a completa soberania divina, para a onipotência de Deus.Acredito firmemente que quando estudamos a História ela pode nos ensinar muitas coisas ou nos levar à duvida, que é o princípio para se ter certeza. Que possamos não desprezar esse momento único.
Lição 10ª - Assembleia de Deus – 100 Anos de Pentecostes - 2ª PARTE
Marcadores: Centenário das Assembleias de Deus, Daniel Berg, Ezequiel, Gunnar Vingren, Lições Bíblicas, Pereira Carneiro 1 Seja o primeiro a comentar!
Daniel Berg e Gunnar Vingren
O nosso irmão Gilvan já citou na lição passada sobre os avivamentos que ocorreram na segunda metade do século 19 e início do século 20. Eu também já havia feito um comentário sobre minha interpretação histórica desse momento. Muitas vezes nos prendemos aos fatos ligados ao avivamento ocorrido na Rua Azusa (LA, Califórnia, EUA, em 1906) e esquecemos que, embora importante, visto que foi o centro irradiador do Movimento Pentencostal, esse acontecimento representa apenas mais um do vários que estavam sucedendo-se na Europa e principalmente nos EUA.
O escritor, jornalista e historiador Emílio Conde cita os avivamentos de 1854, na Suécia, de 1858 no estado do Novo México, nos EUA, e os avivamentos seguidos ainda nos Estados Unidos em diferentes lugares:
Na cidade de Moorehead (Minnesota, Meio-Oeste dos Estados Unidos, mais ao norte do país), em 1892.
Na cidade de Galena (Kansas, Meio-Oeste dos Estados Unidos), em 1903.
Na cidade de Orchard (Nebraska, Meio-Oeste dos Estados Unidos), em 1904.
Na cidade de Houston (Texas, Sul dos Estados Unidos, a quarta maior cidade e uma das mais religiosas), em 1905.
Podemos então perceber que com exceção do Nordeste norte-americano (a região mais desenvolvida economicamente daquele país), todas as regiões dos EUA foram alcançadas por esse Movimento. Culminado com o estado da Califórnia, do lado dos estados do Pacífico, onde ocorreu o mais notável avivamento, da qual as Assembleias de Deus julgam descender.
O dito avivamento da Rua Azusa realizou-se em um edifício onde funcionava um antigo armazém de cereais. Lá aconteciam reuniões lideradas pelo pastor William Joseph Seymour. Seymour era um descendente de escravos católicos, nascido no estado Louisiana; ele havia se convertido em uma igreja batista e conheceu a doutrina pentecostal na Housten, com o famoso pastor Charles F. Paham (foto abaixo), onde ocorreu – como dito acima – um dos famosos avivamentos de início de século.
O que sucedia nesse lugar (Rua Azusa) espantou, sem exagero, o país inteiro. Muitos vinham de longe para saber o que estava ocorrendo ali. E quando saiu na imprensa dita secular, atraiu milhares de pessoas.
E como diferenciava esse movimento daquele tipo de protestantismo de universidade! O espírito evangelístico daqueles crentes fez com que muitos fossem anunciar essa nova forma de cultuar a Deus em outros lugares, em centros urbanos como a cidade internacionalmente famosa de Chicago.
Como havia acontecido em Los Angeles, os moradores de Chicago estavam chocados com tudo aquilo que presenciavam. Mas o que eles estavam presenciando?
Os relatos divergem e dependem de que lado você estava, dentro da casa, vendo entusiasmadamente o pastor Seymour pregar, ou do lado de fora, descrente em tudo aquilo que estava vendo. O primeiro grupo dizia que tudo aquilo era Deus operando de uma distinta (renovada) forma daquilo que Ele já havia feito antes. Mas perceba a descrição do Los Angeles Times, um dos principais jornais do país, sobre aquilo que os jornalistas estavam presenciando:
As reuniões se realizam num barraco condenado na rua Azusa, e os partidários desta estranha doutrina praticam os mais fanáticos ritos, pregam as teorias mais loucas e eles mesmos funcionam num estado de louca excitação em seu zelo peculiar. Gente de cor e uns quantos brancos compõem a congregação, e a noite se torna horrorosa no bairro por causa dos uivos dos fiéis, que passam horas se balançando para frente e para trás numa exasperante atitude de oração e súplica. Eles dizem ter o "dom de línguas" e ser capazes de entender este babel.
Antes que aconteça algum mal entendido, quero dizer que eu citei esse texto apenas para demonstrar como o Movimento iniciado na Rua Azusa chocou a sociedade daquela época.
No entanto, observe que o pentecostalismo não iniciou com Seymour. Ele não foi o primeiro, o último, talvez nem o mais famoso. Pessoas, como a do controverso pastor Charles F. Paham, são tidas como iniciadoras teóricas do movimento. A ligação com a figura do pastor Seymour que as Assembleias de Deus no Brasil possuem tem mais a ver com aquilo que aconteceu em Chicago do que em aquilo que aconteceu em Los Angeles. Mas o que aconteceu em Chicago?
Gunnar Vingren nasceu na Suécia em 1879, numa família batista. Aos 23 anos de idade foi para os Estados Unidos, onde se formou em teologia e tornou-se pastor na cidade de South Bend, no estado de Indiana. Ao saber daquilo que estava acontecendo no estado vizinho (Illinois), o pastor batista pôde então acompanhar a operação do poder de Deus. Foi batizado com Espírito Santo em 1909. Nessa mesma cidade (Chicago) ele conheceu outro sueco, esse mais novo do que ele cinco anos, Daniel Berg.
Daniel Berg (foto abaixo) não tinha formação teológica e ao contrário de Gunnar Vingren, ele conheceu a doutrina pentecostal na Suécia, embora também tenha sido batizado em Chicago, com a pregação do grupo vindo do Movimento da Rua Azusa. É apenas por esse motivo, e não por outros, que o Movimento da Rua Azusa faz sentido à História das Assembleias de Deus.
Em Chicago os dois suecos tornaram-se grandes amigos. No ano seguinte Daniel Berg foi visitar Gunnar Vingren em Indiana. Em determinado culto (em casa de um irmão), Deus teria tomado um profeta (o irmão Uldin) em línguas estranhas e na profecia dada aos dois estava sendo ordenado que eles fossem pregar o Evangelho no Pará. Eles não sabiam que terra era essa. Mas depois de procurarem intensamente em uma biblioteca, no mapa encontram: o extremo norte do Brasil.
Sem pensar duas vezes foram ao Pará, sem saber falar o português, sem nenhum conhecido em terras brasileiras, sem nenhum recurso financeiro para empreenderem viagem tão longa e nem para se manterem em país estrangeiro. Mesmo assim não desanimaram.
Lição 10ª - Assembleia de Deus – 100 Anos de Pentecostes - 3ª PARTE
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O início das Assembleias de Deus no Brasil
Belém - Pará
Daniel Berg e Gunnar Vingren decidiram pegar um navio em Nova Iorque e viajar ao Brasil, mas como foi dito antes eles não tinham dinheiro. Nenhum dos dois eram ricos, Vingren era filho de um jardineiro e Berg era um simples ferreiro. Eram tão pobres que eles necessitavam para viagem, na parte mais humilde do navio, de apenas 45 dólares cada um, mas eles não tinham 90 dólares! Contudo, Deus havia dito a Vingren: “nada vos faltará” e assim creram contra o impossível.
Passando os dois por certa rua em Nova Iorque, Gunnar Vingren encontrou um conhecido seu que tinha um envelope para lhe dar. Disse esse homem que iria mandar pelos correios, mas como surpreendentemente o estava vendo na sua frente poderia entregar pessoalmente a ele. No envelope estava a quantia de U$ 90, nem mais nem menos do que eles iam precisar. Estavam Berg e Vingren agora totalmente convencidos que era realmente o Senhor que desejava que eles fossem para América do Sul.
Com isso embarcaram no navio Clement na terceira classe. Sem nem ter o que comer, tiveram os dois, em caminho ao Brasil, experiências marcantes com Deus. Não deixaram um minuto de evangelizar aos tripulantes e conseguiram até levar um dos passageiros a se converter.
Chegaram ao Brasil em novembro de 1910. Ao desembarcarem não podiam contemplar nada mais desanimador: um lugar inóspito, ainda que capital e principal cidade do Pará, mas o que era Belém a mais de cem anos atrás? Evidentemente alguém pode dizer “Belém estava no apogeu do ‘ciclo da borracha’ nessa época” e não estará mentindo. No entanto, a riqueza não era equitativamente dividida. O latifúndio no Pará era e ainda é algo alarmante. A população humilde de todos estados brasileiros sofre. E cem anos atrás sofria ainda mais.
O Evangelho era escasso – ainda hoje mais de 2.000.000 pessoas seguem todo final de ano (outubro) o Círio de Nazaré, em homenagem a Maria – havia muito misticismo, o povo era extremamente pobre e sem muita instrução escolar e cultural, um forte calor, doenças tropicais... Se o Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, não era bem visto pelos estrangeiros, imagine a Região Norte do país – preterida pelos governantes da época, a não ser pelo valor comercial da borracha – na visão de homens que tinham conhecido os confortos dos EUA e da Europa.
Mas eles não desanimaram, sabiam que havia muito trabalho a fazer e confiavam na mesma forma que Paulo: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (...) (Romanos 1.16).
Conforme tinha sido informados no navio por pessoas amigas, procuraram um hotel baratíssimo para se hospedarem. Lá no hotel souberam de um pastor metodista (Justus Nelson) – igreja muito popular nos Estados Unidos – e no dia seguinte foram procurá-lo. Como Gunnar Vingren era um pastor batista, o pastor Justus o levou até uma igreja batista que tinha como pastor Raimundo Nobre.
O pastor Raimundo permitiu que eles morassem dentro da igreja que ele pastoreava. Dias se passaram até que o primo do pastor Raimundo, Adriano Nobre, que era também pastor, no entanto, da igreja Presbiteriana, foi visitá-lo. Nesse momento teve contanto com os dois missionários. Era Deus novamente atuando. Adriano Nobre sabia falar inglês e convidou Daniel Berg e Vingren para morarem com ele nas ilhas.
Passado algum tempo com Adriano Nobre, os amigos missionários voltaram à Belém para congregarem na igreja Batista. Nessa época Vingren já sabia falar português e Berg já havia encontrado emprego. Passado o primeiro período de turbulência, uma batalha iniciava-se: a ministração do Evangelho conforme uma “nova” doutrina.
Antes de qualquer alma se converter pela pregação dos dois, uma irmã recebeu o batismo com Espírito Santo. Seu nome era Celina Albuquerque. Sobre ela Emílio Conde assim descreve: Numa quinta-feira, à uma hora da manhã de dois de junho de 1911, na Rua Siqueira Mendes, 67, na cidade de Belém, Celina de Albuquerque, enquanto orava, foi batizada com o Espírito Santo.
Celina de Albuquerque é a primeira mulher brasileira, registrada historicamente, a receber o batismo com Espírito segundo os ensinamentos pentecostais. Nesse sentido a Assembleia de Deus pode ser considerada a pioneira no pentecostalismo brasileiro. Seria o momento propício para se debater a “nova” doutrina, mas a igreja batista brasileira, diferente, da batista americana, não entendeu assim.
Os ânimos se exaltaram. O debate não foi um debate foi uma discussão, no pior sentido do termo. Celina de Albuquerque foi proibida de ensinar na Escola Dominical na sala em que era professora. Numa reunião convocada por Raimundo Nobre, o mesmo que os havia recebido anteriormente, ele assumindo a direção da reunião, pediu para que todos aqueles que concordassem com a doutrina pentecostal se levantassem, a maioria, segundo Emílio Conde se levantou, e Raimundo Nobre os excomungou da igreja. Esses irmãos mesmo discordando e recitando Atos 2, aceitaram a decisão.
Os irmãos que confessaram acreditar na doutrina pentecostal e que foram sumariamente excomungados, são esses listados abaixo:
Celina de Albuquerque
Henrique de Albuquerque (marido de Celina)
Maria Nazaré
José Plácido
Piedade Costa (esposa de Plácido)
Prazeres Costa (filha de Plácido)
Manoel Rodrigues
Jerusa Rodrigues (esposa de Manoel)
Emília Dias
Manoel Dias
João Domingues
Joaquim Silva
Benvindo Silva
Teresa Silva (esposa de Benvindo)
Isabel Silva (filha de Benvindo)
José de Carvalho
Maria de Carvalho (esposa de José)
Mendes Garcia
Citei essas pessoas nominalmente porque esses foram os primeiros membros daquilo que seria posteriormente chamado de Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Lembremos, contudo, que antes de existir um templo os cultos sob a direção de Berg e Vingren realizam-se na casa de Celina [o primeiro templo data de 1914] [o pastor era Vingren e Berg era o evangelista] e antes da Assembleia de Deus receber esse nome ela foi chamada durante sete anos, em conformidade com o Movimento Petencostal norte-americano, de Missão da Fé Apostólica. Nome bem sugestivo.
As igrejas históricas não gostaram nada dessa novidade, assim como em parte ocorreu nos EUA. Aqui, contudo, os repórteres não foram tão ofensivos como lá e teve um até que chegou, segundo Emílio Conde, a dizer: “Nunca vi uma reunião, tão cheia de fé, fervor, sinceridade e alegria entre os crentes”.
Com pouco tempo a nova igreja começou a crescer seguindo o zelo missionário dos seus fundadores. Em 1913, Gunnar Vingren já havia consagrado um novo pastor, o primeiro pastor brasileiro, trata-se do pastor Absalão Pinto. Depois desse ainda foram consagrados: Isidoro Filho, Crispiano de Melo, Pedro Trajano e Adriano Nobre, pastores junto com Gunnar Vingren.
O início das Assembleias de Deus em Pernambuco
Pernambuco foi o estado onde surgiu a primeira compilação da Harpa Cristã, com o pastor Adriano Nobre, com tiragem inicial de 1000 cópias, ela foi desde início usada em todo o Brasil. O primeiro círculo de oração, como conhecemos hoje, também nasceu em Pernambuco, com a irmã Albertina, em Casa Amarela.
O primeiro estado brasileiro depois do Pará a receber o pentecostalismo (enquanto doutrina) foi o Ceará, e pelo Evangelho pregado por uma irmã, a Maria Nazaré, citada acima como uma das excomungadas (da igreja Batista de Belém) e fundadoras da Assembleia de Deus.
A irmã Maria Nazaré foi visitar seus parentes e anunciou o que havia ocorrido no Pará, Eles não acreditaram na doutrina, mas ela conseguiu convencer uma igreja Presbiteriana da doutrina pentecostal e fez com essa igreja se tornasse uma Assembleia de Deus, isso em 1914.
O nascimento da Assembleia de Deus em Pernambuco é meio controverso. Pernambuco recebeu um missionário designado especialmente para esse estado, o pastor Adriano Nobre. Esse evangelizou algumas pessoas, realizou alguns cultos e batizou o irmão Francisco Ramos e a irmã “Lulu” no rio Capibaribe. A irmã Lulu teria sido a primeira batizada com Espírito Santo em Pernambuco.
Mas seu trabalho parou aí. O pastor voltou à Belém antes mesmo de ter passado dois anos no estado. Os fundadores “de fato” das Assembleias de Deus foram o missionário sueco Joel Carlson e sua esposa.
Foi Joel Carlson que celebrou a primeira Santa Ceia no estado, que comprou o primeiro lugar para se fazer uma sede da Assembleia de Deus em Pernambuco e foi ele junto com sua esposa que fez a primeira intuição de assistência social vinculada à igreja no Brasil.
No princípio ele teve vários desgostos, o povo era menos propicio a doutrina pentecostal do que os outros estados do Nordeste, inclusive Joel Carlson pensou em abandonar à denominação em Pernambuco e ir residir no Rio Grande do Norte, como fez o pastor Adriano Nobre. As igrejas tradicionais aqui de Pernambuco também lhe impunham forte resistência. Mas com o tempo a igreja cresceu. Em 1942 o pastor Carlson batizava 187 novos convertidos nas águas em apenas um dia (23 de agosto).
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